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Há dias bons e dias maus. Ponto final. Parágrafo

Há dias bons e dias maus. Ponto final. Parágrafo

28
Nov22

Lenine, Porto, Concerto, Casa da Música, Rizoma...há coisas que fazem mesmo sentido na vida! Que é rara!

Maria Pinto

ri·zo·ma|ô|

(grego rhizóma,-atos, conjunto das raízes de uma planta)
nome masculino

  1. [Botânica] Espécie de caule geralmente subterrâneo, quase sempre horizontal.

     2.Causa, origem ou fundamento de alguma coisa (ex.: espero encontrar o rizoma do problema). = RAIZ..."rizoma", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021,https://dicionario.priberam.org/rizoma

Andava eu na Faculdade, há milhares de anos atrás e, como era hábito, às sextas-feiras à noite, eu e o meu grupo encontrávamos-mos no Piolho (o nosso café referência durante toda a faculdade) e depois decidíamos para onde íamos a seguir.

Numa noite, pleno verão, uma amiga senta-se à mesa, pede uma cerveja e diz: "Já sei aonde vamos hoje! Vamos às noites do Palácio de Cristal e vamos ver Lenine”! Um de nós, o D, sentado à mesa disse apenas: "Lenine… Deve ser bom, deve. A começar pelo nome”! A L. apenas disse que era um cantor promissor na nova cena musical brasileira e que tinha lido críticas excelentes! Não ficámos convencidos! Até que ela disse: “Não se paga bilhete”! Aí, ficámos convencidos. Um grupo de universitários, sem querer gastar muito dinheiro e lá fomos a pé pelas ruas maravilhosas do meu querido Porto, do Piolho ao Palácio! A gozar bastante, uns mais do que os outros a dizer que ia ser o concerto da nossa vida!

Chegámos e, como não havia muito gente, posicionámo-nos em frente do palco! À espera…

De repente entram músicos no palco, palmas, sorrisos e mais ainda quando aparece um homem com cabelo comprido até ao rabo! Juro, que pensei: “O que estou eu a fazer aqui?”

Figura simpática, riso enorme, sincero e, entretanto, começa o concerto. Necessitei, talvez, de 30 segundos para ficar muito interessada na música e na letra. Adorei a canção. Adorei. Seguiram-se outras, muitas mais e sempre que havia uma nova, era uma descoberta de palavras, trocadilhos, sons, arranjos…espetacular! Saí do concerto com a alma cheia e a dizer para mim mesma que no dia seguinte ia comprar os CD´s dele.  E assim foi. Aquele concerto abriu-me a um mundo novo e diferente da música brasileira que estava acostumada a ouvir.

O tom intervencionista, as diferentes sonoridades, os arranjos, a riqueza das palavras, o seu conteúdo, o seu contexto, o cantar o Brasil com todas as suas multiplicidades! Gosto muito de Lenine, pelo que ontem, não poderia deixar de ir ao seu concerto na Casa da Música!

Veio com o seu filho, apresentar o espetáculo, Rizoma! Rizoma, raízes, ele e o seu filho, como que prolongamento de algo que não está só nos genes, mas na imensa partilha de sonoridades e de vida. As mesmas músicas com arranjos diferentes, mais jovens, ousadas, outras músicas novas, surpreendentes e com o mesmo tom reivindicativo e de alerta! Foi o Lenine de sempre, e muito bem acompanhado e que encheu a sala Suggia! Tão bom!

E nisto dou comigo a pensar, quando é que foi a primeira vez que o ouvi? Talvez há 19-20 anos. Disse ao meu marido: "Seguramente há 19-20 anos". E penso no Piolho, no Palácio, no concerto maravilhoso e tive de ir ver ao Dr. Google, quando é que foi o 1º concerto de Lenine no Porto. Remonta a 14 de julho de 2000! Foi há mais de 22 anos!

Nestes 22 anos, muito se passou. Inclusivamente, já mostrei muitas das suas músicas às minhas filhas que gostam especialmente de “Relampiano” e “Paciência”.

Não é fechar nenhum ciclo, é apenas mais uma estação no nosso caminho. Seguimos vias diferentes, caminhos diferentes e encontramo-nos nestes concertos pontuais em que por umas horas, ouço música boa e tenho um sorriso na cara! Quando vier outra vez ao Porto, acho que vou lá estar! Como diz numa das suas letras “A vida é rara” e é mesmo. Há que aproveitar e no caminho, deixar algo aos filhos, principalmente as coisas boas da vida, para que nesta passagem tão efémera possamos ser felizes!

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